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CULPA IN VIGILANDO

  • Foto do escritor: José Dalai Rocha
    José Dalai Rocha
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura
Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr
Gustavo Aleixo/Cruzeiro/Flickr

Dos romanos, de onde vem basicamente o nosso direito, herdamos o conceito de “culpa in vigilando”, o pecado do descaso, do descuido, desatenção, quando o dever era cuidar, vigiar. A pane geral sofrida pelo Cruzeiro, no segundo tempo do jogo contra o Botafogo, iniciada aos dois minutos, desnuda o cochilo geral que ainda iria se repetir por 3 vezes! Impressiona a superioridade numérica de defensores azuis em três dos gols do Botafogo. 6 contra três, e não fomos capazes de matar a jogada.


Impressiona o tempo que jogamos só com 10, após a contusão de Gerson. A bola correu com tanto desembaraço que tomamos o segundo gol. 32 minutos. E abriram-se as porteiras. Qualquer semelhança com casa de mãe joana não é mera coincidência.


Durante o jogo, especialmente  após o início do massacre, câmeras focavam um Tite em pé, à beira do gramado, olhar distante, frio, talvez se refugiando num sitio de Caxias do Sul.


No terceiro gol, quando desde a linha demarcatória Fagner escoltou o atacante Mateus Martins correndo em direção a Cassio, sem conseguir matar a jogada, Tite deve ter compreendido que aquele bom lateral que ele dirigiu no Corinthians e na seleção brasileira há mais de 10 anos, não existe mais.  A  inexorabilidade do tempo é imparável.


Mas esse mesmo tempo ensina.


   BATE PAPO NO QUINTAL 


1. Cruzeiro 1 x 0 Betim – No  último minuto do jogo, Matheus Pereira mantém o time vivo no campeonato, ligando a chave do que poderá marcar a ressurreição. Mas a vitória não pode apagar a péssima atuação de William: de dez bolas cruzadas, quatro foram direto, facilmente, para as mãos do goleiro. As outras, bisonhamente para o fundo de campo.  Escanteios também foram para o lixo revelando falta de treinamento. Será tão difícil, assim, armar esquemas positivos como tanto time consegue? De qualquer forma, um gol  no final do último minuto acrescido aos 9 iniciais pode ser um sinal dos deuses.


2. Resiliência -  Administrar vitórias, até os medíocres fazem com sucesso. Superar fracassos é pra fortes. Resilência, é o que a Nação Azul espera de Pedro Lourenço e seu filho Junio. Estão investindo dinheiro, alma, coração e esperança nesse projeto de reconstrução do Clube, emocionando 14 milhões de corações azuis. Não há dificuldade que não superam. Não há pedra que não desloquem do caminho, pra nosso bloco passar.

Com os 4 x 0 de quinta-feira, é  fácil imaginar o sentimento de frustração dos dois: basta multiplicar o nosso por dez.


Mas isto não é chuva pra quem capote.


3. Tite – Bombardeado neste BATE PAPO e nos grupos sociais, Tite deve ter vivido ontem à noite um dos momentos mais emocionantes dirigindo um time. Nada dava certo contra o Betim, num campo encharcado pela chuva que não parou. O gol no último instante propiciou um recado dado pelos jogadores: todos correram pra abraçar o treinador.


4. Fred Melo Paiva,  em sua coluna de sábado, no Estado de Minas, sofrido de tantas guerras, mantém os pés no chão  e critica a “euforia” atleticana:


“Bastaram os dois gatilhos para que o atleticano patológico passasse a apresentar sintomas da doença. O principal deles afeta diretamente a visão:  diante dos ocorridos, o paciente começa a enxergar apenas a metade cheia do copo, ainda que completamente vazio,  ou até mesmo na ausência do próprio copo.”


5. Paulo Arantes – “Dalai, não sou de ter visões, premonições etc.  Mas sábado, quando vi nos jornais  pela primeira vez a classificação dos clubes no Brasileiro, após a rodada inaugural, com o Cruzeiro em último veio como um flash, em minha mente, a classificação relativa a última rodada e o Cruzeiro ocupava o primeiro lugar.”


Paulo, também tive essa visão. O bom é que não há nenhum exagero nela.


6. Alberto Silveira justifica nossa má fase:


“Dalai, há alguma coisa com  alinhamento dos planetas: Cruzeiro, Real Madrid, Palmeiras e Flamengo, simultaneamente, passando por um inferno astral.”


7. Santos Junior  contribui para melhoria da arbitragem:


“Enquanto não chegam as reformas básicas na contagem de tempo do jogo, valeria a pena atenuar, pelo menos a cera  que se faz na prorrogação beneficiando o time que está vencendo:  após as tradicionais rolagens em campo, simulando contusão, o árbitro, antes de  apitar o reinício deve sinalizar o acréscimo de 1 ou 2 minutos...”


Ótima sugestão, Santos. Pode ser que não acabe com a cera mas, certamente, estancará o prejuízo do time que estiver perdendo.


8. Síntese da síntese – O prof. Muniz Sodré, da UFRJ, em coluna na Folha de São Paulo, ontem, pinta o amargo retrato do STF:


“Que desalento para o espírito democrático. Mas que vergonha para o espirito de corpo os supremos, chancelando destrambelhos de colega, como reles cuscuzeiro, panela que cozinha a fogo baixo, abafando o que se faz.”


9. Incrível, fantástico, extraordinário -  Divulgadas na última semana descobertas que abalam os dois extremos físicos das pesquisas científicas: a nanotecnologia e a astronomia. Um  robô, menor que a cabeça de um alfinete, com altíssima  tecnologia, poderá circular pelas nossas veias e  patrulhar órgãos internos. 


Pela astronomia, a descoberta por cientistas  da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca, do Planeta HD 237010, com massa semelhante à da Terra, situado a 146 anos-luz de distância.


Ano-luz, como não nos lembrávamos mais, é a unidade de comprimento usada para  expressar distâncias astronômicas e equivale a cerca de 9,46 trilhões de quilômetros.  Significa que  a luz pode percorrer essa distância em um ano terrestre de 365 dias.


Próxima Centauri, a estrela mais perto da Terra, está a 4,3 anos luz de distância, ou seja,  a mais de 40 trilhões de quilômetros. Se fosse possível viajar a esse sistema solar a bordo de um jato comercial, cuja velocidade é de 850km/h, a NASA estima que o  voo levaria 5 milhões de anos. 


10. Quem é o carente?  Essas diferenças astronômicas às vezes cabem numa cena de rua. Quinta-feira, bairro Santo Antônio, rua Marquês de Paranaguá, temporais inundaram rapidamente o trecho. Uma Mercedes preta começou a se desestabilizar e o motorista, apavorado, pedia socorro. Ninguém ouvia. Guilherme Junior Ferreira Marques, morador de rua, estava enrolado em trapos, na esquina, deitado num ninho de papelões. Ouviu os gritos, saiu do seu “conforto”, entrou na água pela cintura e conseguiu resgatar o motorista pela janela da porta. Em seguida, já com o auxilio de outro morador de rua, Henrique Caetano Assis de Jesus, empurrou o veículo para um trecho livre das águas. Recuperado do susto, o motorista sacudiu o corpo, respirou fundo, abriu a porta, entrou em sua Mercedes, fez  sinal de positivo com a mão, enquanto com um sorriso gratificava os dois homens.


GARIMPO

“Gratidão é uma doença sofrida por cães.”

(Stalin – 1879-1953)

 
 
 

6 comentários


Gelvane Cardoso
há um dia

Tem dias, que apenas a vitória suada ou molhada é o que interessa.

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Gustavo
há um dia

Duas perguntas:


1) o jogo do CSA-MG já acabou??!!


2) Até outro dia eram 10 milhões. Agora já são 14??!!


Faz o K imediatamente!! KKKKKKKKKKK

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Voltei!
há um dia

BBBom dia!


Que faaaaaseeeee!!!!


O bbbruzeirense está vivendo, literalmente, no mundo da lua! Depois de uma goleada astronômica para o botafogo e uma nanovitória sobre o Betim, ao apagar das luzes, quando o árbitro, por misericórdia, pediu para esperar mais um minuto para ver se virava alguma coisa, o bbbruzeirense não quer mais falar de futebol!


Se pudesse, o bbbruzeirense embarcaria para Alfa Centauri. Tentaria chegar à Alfa Centauri A, mas ia acabar caindo, por uma atração irresistível, na Alfa Centauri B! "Muito melhor", argumentaria o conformado bbbruzeirense, "já imaginou se cai na Alfa Centauri C (próxima Centauri)?


Agora, se o Galo confirmar o heptacampeonato vai ter gente querendo comprar passagem para o Planeta HD 237010 a 146 anos-luz de…


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Galo Jacaraípe
há um dia
Respondendo a

És tu Jorge ?......Há quanto tempo.

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JAMILTON
há 2 dias

Bom dia caros amigos cruzeirenses e também aos visitantes atleticanos deste quintal. Estamos no começo de temporada, então isso inclui dizer que é preciso um pouco de paciência com o time e com o Tite. Estávamos acostumados com o que o Leonardo Jardim fez no ano passado, tendo ainda chances clara de sermos já naquele ano campeão brasileiro e também da copa do Brasil, além de campeão da copa rei. Acham que estou exagerando? Só lembrar dos pontos perdidos em casa para times como Ceara, Sport etc., além das garfadas da arbitragem (decepção do próprio Jardim com a CBF) contra o Santos em casa e contra o Palmeiras fora - não expulsão do Gustavo Gomes, somente pra ficar nestes do…

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Jamicel
há 2 dias

Caro Dalai,


bela coluna para mim que sou um entusiasta da astronomia, aliada à menção à ação dos moradores de rua!


Excelente...

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