TREM AZUL AVANÇA
- José Dalai Rocha

- 23 de nov. de 2025
- 6 min de leitura

Apagando a má impressão que ficou do jogo contra o Juventude (3 x 3), o Cruzeiro amassou o Corinthians ontem à noite, no Mineirão. Foi 3 x 0, mas poderia ser mais, tal a eficiência azul passeando em campo.
Com este resultado, o time garante vaga direta na fase de grupos da Libertadores de 2026, o que era uma das metas anunciadas por Leo Jardim. Mais que isto, com uma das melhores exibições neste ano, o Cruzeiro se habilita para cumprir bem as últimas partidas do Brasileiro: Domingo, dia 30, contra o Ceará, em Fortaleza; dia 3 de dezembro, quarta-feira, contra o Botafogo, no Mineirão. A última partida será contra o Santos, em São Paulo, dia 7. Já no dia 10, haverá a primeira partida contra o Corinthians, pela Copa do Brasil.
Uma jornada que se avizinha épica, memorável, marcando o renascer de um gigante. Completamos ontem, no Mineirão, a cifra de 800 mil torcedores nos estádios. Só o Flamengo tem mais do que nós.
BATE PAPO NO QUINTAL
1. Escanteios azuis – O que já está bom, pode melhorar: nossos escanteios estão sendo cobrados de uma só forma, com dois perto da bola. Quem chuta passa para o companheiro, que cruza. Até agora, total ineficácia. Vamos treinar o plano B e o C?
2. Lanús campeão da Copa Sulamericana - Terá sido praga dos beneficiários de Fundos de Previdência iludidos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, sócio da SAF do Atlético? Vários desses Fundos sofreram estelionato em CDBs falsos, com a conivência (suborno) dos próprios dirigentes, comprada ao peso de milhões e milhões de reais. O prejuízo chega a bilhões, comprometendo a continuidade das aposentadorias. Não é culpa do Clube, mas alguma parte das finanças da SAF atleticana tem esse sangue ruim. Daí, a praga das vítimas.
A final de sábado, no Paraguai, foi um jogo ruim. Dava calo nos olhos. O Lanús não era um time de futebol. Era um ajuntamento de condomínio, incapaz de trocar três passes seguidos. Não ultrapassava o meio de campo. O goleiro Everson não fez uma defesa, sequer. Predominavam os chutões para o outro lado, sem nenhum atacante. Como num squash, a bola voltava para o ataque atleticano que também fazia jogadas bisonhas. A partida inteira foi assim: um defensor do Lanús tomava a bola, dava um chutão pra frente, e em seguida a bola voltava para o ataque mineiro. Era abissal a diferença de qualidade entre os dois times. Terminada a prorrogação, foram para os pênaltis. A indigência técnica prevaleceu nos dois lados. Ganhou o que errou menos.
3. Empáfia, soberba, salto alto - 10 aviões fretados, 80 ônibus com torcedores colocaram 10 mil atleticanos em Assunção com a certeza de que iriam apenas buscar a taça de campeão. Pela diferença de qualidade entre os dois times, eram favas contadas. Não havia dúvida. A rigor, nem precisaria viajar. O jogo começou e era linha contra defesa. A bola ficou cativa na intermediária do Lanús. O gol surgiria a qualquer momento. Amadurecia. O tempo passou, e nada. Nem na prorrogação. Já eram sinais de uma tragédia que viria com os pênaltis. A bola pune. Não se ganha jogo na véspera.
4. Música no Fantástico - O lado bom é que agora, após perder os três últimos títulos disputados, Copa do Brasil para o Flamengo, na Arena MRV; Libertadores para o Botafogo e Sulamericana para o Lanús, o Atlético pode pedir música.
5. A melhor da noite - Entre as muitas gozações que surgiram nas redes logo após o fracasso paraguaio, a melhor foi a foto de Hulk ostentando um cartaz: “Calma gente! Ainda temos duas coisas pra comemorar... O Natal e o Ano Novo.”
6. Administração e política – O doloroso escândalo do Banco Master volta a escancarar um drama crônico do Brasil: a barganha de apoio no Congresso por altos postos de chefia de entidades públicas gestoras de vultosos recursos financeiros. Foi assim na Petrobras, gerando o famigerado Mensalão. E continua.
Em direito penal, se o empregado de uma oficina de veículos, onde seu carro ficou para reparos, pega a chave sai com ele de madrugada e provoca batida com danos a terceiros, o responsável é o proprietário da oficina, por culpas sintetizadas em três expressões latinas: in eligendi (em escolher aquele empregado); in vigilando (em vigiar) e in custodien (em guardar).
Quando um ministro de Estado for co-responsável pelos atos criminosos dos subordinados diretos que ele nomeou para sua pasta (culpa in eligendi) e assim sucessivamente, nos escalões abaixo, boa parte da corrupção no Brasil iria para o ralo.
Se esta norma já prevalecesse, o recentíssimo escândalo da Previdência Social, com bilhões descontados sorrateiramente de aposentados, não ocorreria.
Hoje, o único lugar em que deputados e senadores ganham nota 10 pelo espírito público é no horário de propaganda política na TV e rádio. Propósitos maravilhosos de progresso social, ética e moralidade. Um paraíso. Exatamente o contrário do que fazem na Câmara e no Senado.
7. Inês Magalhães se rende ao nosso historiador atleticano:
“Há muito tempo não me emociono tanto. A última vez, há 10 anos, quando perdi o concurso de Miss na minha região, por causa de duas polegadas a mais. Passei a ter o agnome de “Marta Rocha” e me senti envaidecida. Agradeço a Manuel Panhame o convite para o tropeiro no Mineirão, mas acho precipitado. Vamos ver primeiro como estará nosso Atlético e o time deles nessas próximas semanas.”
Inês, parabéns. Prudência e caldo de galinha até ontem não mataram ninguém.
8. Manuel Panhame – ainda sem ter conhecimento da mensagem de Inês, desmarca o que não estava marcado, lembrando-se (sexta-feira) que “... a Taça virá para Belo Horizonte, a Cidade do Galo...” Panhame escreveu na véspera do que se esperava um jogo épico, transbordante de certezas da vitória. Deu tudo errado. Aguarda-se a posição do historiador atleticano.
9. Marcos Amaral, ensarilhando as armas:
“Perdemos este campeonato para a Série B.”
10. Noite Celeste – É hoje, às 18h30, o programa que já é atração no mundo azul. Fernando Rocha e Diogo Medeiros debatem, numa conversa caseira, as últimas notícias envolvendo o Maior de Minas. Fácil de entrar via Google: digite Noite Celeste. Sugestão de pauta: entrevistar Gaciba, o ex-arbitro contratado para orientar jogadores sobre comportamento em campo. O que é que ele faz no Cruzeiro?
11. Garfada explícita – O árbitro Ramon Abbati Abel e Ilbert Estevam (VAR) que atuaram no São Paulo 2 x 3 Palmeiras, foram suspensos por 40 dias pelo STJD, sendo ainda obrigados a passar por reciclagem. Erros clamorosos, deixando de marcar um pênalti a favor do São Paulo e, depois, não expulsando Andres Pereira por falta muito dura em Marcos Antonio, atingindo-o acima da linha do tornozelo. O São Paulo já vencia por 2 x 0, quando ocorreram esses lances, e poderia ter feito mais gols. O Palmeiras reagiu, empatou e fez o gol da vitória.
Se o Palmeiras tivesse perdido aqueles 3 pontos e após o empate com o Vitória quarta-feira, e com o Fluminense, sábado, como estaria hoje?
12. Halisson Souza responde à pergunta do blogueiro: você, atleticano, torceria pra seu time vencer o Flamengo ou o Palmeiras, mesmo que assim o Cruzeiro seja beneficiado?
“Torço sempre pro Atlético vencer, ainda mais contra Flamengo e Palmeiras. Quero vê-lo mais à frente possível na tabela, até mesmo porque não há como ajudar o Cruzeiro. O próprio time celeste se enforca, empatou com o Juventude e só mesmo o cruzeirense iludido acreditaria que esse time disputou título em algum momento do campeonato.”
Corajoso, Halisson Souza escreveu sua mensagem na manhã de sexta-feira. Véspera do jogo, sábado, entre Lanús e Atlético, decidindo a Sul-americana. Domingo, pelo Brasileiro, haveria Cruzeiro x Corinthians.
13. Marcos Mineiro – Com base no jogo contra o Juventude, vê problemas na defesa do Cruzeiro, mais acentuados no setor direito, com William. Embora a crítica esportiva centralize a culpa no lateral, Marcos aponta falha na cobertura que deveria ser feita pelos volantes, especialmente Lucas Silva “que não tem feito boas partidas”.
E conclui:
“É preciso acertar isso, sobretudo quando o adversário prefere jogar em contra-ataques. E é preciso, também, treinar uma forma de encarar as retrancas sem dar margem aos contra-ataques.”
Marcos, o Cruzeiro vinha fazendo isto muito bem e depois parece que esqueceu a fórmula. Vamos torcer para que Leo Jardim acorde o time a tempo. Após o jogo contra o Juventude ele reconheceu o que seria impossível não reconhecer: falhas de nossa defesa. Além disso, desaprendemos a bater escanteios e faltas.
GARIMPO
“O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora.”
(Provérbio chinês)




Boa noite, Prof. Dalai! O sr Vorgaro injetou R$ 300 milhões na SAF do Atlético. Foi afastado da direção da SAF somente após a PF revelar o escândalo dos gigantescos golpes financeiros. Ok, mas, ficam as perguntas: 1. na esfera desportiva, haverão desdobramentos ?! O STJD, sempre rigoroso contra os menos poderosos, vai agir?! 2. os altos executivos da MRV, BANCO INTER, BANCO BMG e HOSPITAL MATTER DEY, donos da SAF, quando aceitaram aquela montanha de dinheiro, não sabiam com quem estavam lidando??!!! 3. E a imprensa, seguirá muda?!
Boa tarde Dr. Dalai. Sobre esta opção do Cruzeiro cobrar escanteios, concordo em tudo do seu comentário. Não justifica dois na cobrança, sendo que o objetivo é lançar a bola pra área do adversário, sem
contar que estamos ficando com menos um atleta na área da confusão, diminuindo as chances de fazer o gol.
Caro Dalai, bom dia!
Partida de almanaque do Cruzeiro contra o Corinthians!
Destaco a atuação do Kaio Jorge que mescla características do Ronaldo Fenômeno (velocidade) e a frieza do Marcelo Ramos na hora de finalizar.
Espero jogo mais difícil nas semis da Copa do Brasil!
Abraço a todos!
A história de Inês Magalhães e Manuel Panhame está apenas começando. Tenhamos equilíbrio pois. Nada de encontros precipitados em momento de reflexão entre pretos e brancos e o coaxar das rãs. Manuel Panhame e Martha Rocha, digo, Inês Magalhães,dispõem de todo o futuro... A propósito de Martha Rocha, será a terceira que este historiador e filósofo vai pessoalmente conhecer... Minha pessoa entendeu não ser prudente utilizar a expressão "atleta de alcova"... Poderia soar pretensiosamente deselegante... A primeira Martha Rocha a cruzar o caminho deste historiador que vos fala escrevendo foi a própria, Miss Brasil e não Miss Universo por insignificantes duas polegadas, coincidência absurda, notem, o mesmo fenômeno que se deu na trajetória artística da linda Inês Magalhães. Nos conhecemos…
Bom dia, Dr. Dalai! Rever opiniões anteriores não é fraqueza; é consciência. Mesmo criticando, defendi o William, resplonsável, segundo os críticos, pela má atuação da defesa contra o Juventude. Pois ontem, ele foi soberbo!!! Acompanhou o brilho do time inteiro: que show de bola!!!! Lucas Silva, Mateus Pereira, Kaio Jorge, Arroyo ... Esse Cruzeiro de ontem lembrou-me aquele de 1966!!! A Academia voltou!!! Tomazra que para ficar, ainda por muito tempo!!!!