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NASCE UM TIME CASCUDO

  • Foto do escritor: Rafael de Novaes Rocha
    Rafael de Novaes Rocha
  • 30 de abr.
  • 5 min de leitura
Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Gustavo Aleixo/Cruzeiro

(Por Rafael de Novaes Rocha)


Com mais transpiração do que inspiração, o Cruzeiro venceu um Boca Juniors que veio a Belo Horizonte com um objetivo: não jogar futebol. E é inegável que a tática funcionou. Entre ceras, teatros, catimbas e reclamações, ao todo, foram menos de 45 minutos de bola rolando e zero (!) finalizações dos argentinos. 


Com auxílio da péssima arbitragem, por boa parte do jogo tivemos dificuldade em acelerar o jogo e impor nossa evidente superioridade técnica. E aos poucos éramos enredados nessa trama do anti-futebol. Méritos também dos xeneizes que formaram um paredão (quase) intransponível à frente da defesa argentina. E assim, mesmo com um homem a menos desde o fim do primeiro tempo, o time do Boca seguia muito exitoso em impedir que o Cruzeiro circulasse a bola, sempre fiéis à sua filosofia de impedir que o esporte fosse praticado. Osso duro de roer. 


Mas com paciência e muito talento, Matheus Pereira orquestrava a busca pelas mínimas brechas no campo do adversário. E tanto buscou que encontrou, com passe indecente para Kaio Jorge que assistiu Néiser. Para explodir o Mineirão abarrotado em alívio. Vitória na raça. Daquelas que criam casca e moldam o DNA de uma equipe. 


Nisso tudo impressiona a rapidez com que Artur Jorge conseguiu dar uma cara ao time. A vitória de terça teve seu dedo, principalmente na capacidade de se adaptar taticamente a cenários adversos. Saiu da água para o vinho, transformando, em menos de um mês, um time apático e sem identidade em uma equipe sólida, brigadora e segura. 


Com alguns reforços e um melhor preparo físico, quero ver quem é que vai nos segurar.


Encerro minha participação mensal neste democrático minifúndio muito animado com o trabalho do português e ousando sonhar com dias felizes. Passo o comando ao blogueiro titular, lembrando que não me responsabilizo mais por quaisquer abobrinhas que possam vir a ser desferidas.


BATE PAPO NO QUINTAL


1. Marcos Amaral, profético, escrevendo  na manhã de terça feira:


“Hoje, arroio vai ser rio...”


2. Cleusa Meireles da Silva  levanta a bola: 


“E a tamancada de 4 x 0 na Arena Meu Rival Venceu? Nem uma notinha na coluna? Nenhuma gozação? E a saída kafkaniana do Hulk? Tá passando pano?

Afinou, Dalai?”


Cleusa, não se esqueça que tenho um filho atleticano. Achei que já era muito castigo para um jogo só. Não precisava sapatear. 


3. PSG 5 x 4 Bayern de Munique & Cruzeiro 1 x 0 Boca Juniors


No primeiro, os dois melhores times do mundo, na atualidade; no segundo um dos maiores clássicos da América do Sul.  A grande diferença entre os dois jogos não foi o número de gols, mas os  árbitros. No Mineirão, o uruguaio Estéban Ostojich assistiu impassível a catimba argentina, jogadores simulando faltas, rolando no gramado como se fosse lesão grave, demorando 30 segundos em cada lateral ou nos tiros de meta; não advertia contra a cera e tão pouco descontou o tempo de enrolação: deu apenas 3 minutos de acréscimo no primeiro tempo. Esperava-se que o mínimo fossem 8 minutos. Pra sacramentar a falta de comando, deixou-se envolver por um grupo de jogadores exaltados contra qualquer marcação favorável ao Cruzeiro. Aceitou pressão física, beirando o corpo a corpo. O jogo teve apenas 45 minutos de bola rolando. Um tempo inteiro consumido pela clássica cera de nossos hermanos.


Em Paris, com nove gols,  jogo de ida da semifinal da Liga dos Campeões, o suíço Sandro  Scharer, de 37 anos, marcou dois pênaltis, um pra cada lado, e sequer admitia a aproximação de jogadores pra reclamar. Expressão séria, em silêncio, tranquilo, encarava o atleta e com uma das mãos simbolizava no outro braço a tarja de capitão. Ou seja, só falava com os capitães das equipes. Respeito. Moral total durante toda a partida.


4. Antônio José Almeida,  voz isolada consolando o blogueiro ante a pancadaria geral:


“Gostei daquela figuração, com a régua,  que explica a falta de ética e senso moral de alguns ministros do Supremo. É como se pouco a pouco a gente fosse se acostumando com falta de vergonha na cara até que ela passe a parecer  normal...”


Antônio, infelizmente é isto. Aliás, estamos assistindo ao vivo, hoje, no Rio de Janeiro, o que é retomar  na prática o bom senso e a ética. O governador interino, desembargador Ricardo Couto, está varrendo a grossa sujeira no Palácio Guanabara: corta gastos, audita contratos e limita a 10% os cargos comissionados. A Alerj, antro de corrupção e que não vê isto há décadas, mais perdida que cachorro caído de caminhão de mudança.


Na política mundial, a régua da ética e do bom senso também está descalibrada não só com Trump: Putin, cuja diversão desde fevereiro de 2022 é bombardear e invadir a Ucrânia, passa óleo de peroba na sua cara de pau e diz que fará tudo pra alcançar a paz...  entre Israel e Irã.  


5. Melquiades  Assunção – de muito longe, abre o baú de boas recordações do blogueiro:


“Estou na Bélgica onde trabalho em pesquisas de bioenergéticos.  Amigos me enviaram a sua coluna falando sobre o professor Mauro Mendes Vilela. Fui aluno dele no colégio Santo Antônio. Sou tão admirador quanto você. Até hoje me lembro da lição sobre síntese, com o exemplo da carta escrita pelo padre Vieira: “perdoe-me ter sido longo, pois não tive tempo de ser breve”. Inesquecível pelo valor das aulas, a empatia e a insistência  naquela maluca análise gramatical por diagrama. Acho que só ele acreditou naquele sistema.”


Melquíades, pode ter certeza que somos muitos nesse fã-clube. Até hoje só vi aquela estranha análise por diagrama com o próprio prof. Mauro. Traçava no quadro três linhas dispostas como a metade superior de um hexágono comprido; na primeira, em ascendência, colocava o sujeito, na horizontal o verbo, e na última, descendo, o complemento.  Advérbios ficavam em  apêndices  (linhas traçadas a partir da horizontal destinada ao verbo).  Adjetivos ficavam como penduricalhos do complemento ou do sujeito.  Saudade.


6. Fany Camutti  pergunta se Artur Jorge lê o QUINTAL:

 

“Você vive alertando que Matheus Cunha joga como se fosse proibido sair da área ou pular e interceptar bolas altas. Reclama, principalmente, que nos lançamentos agudos em  que o atacante entra sozinho ele não se antecipa na intermediária para  barrar a jogada. Prefere esperar, como se, cara a cara, pudesse guarnecer os sete metros de comprimento. No pós jogo contra o Boca Junior, o nosso treinador revelou que uma das razões da entrada de Otavio é que os argentinos tinham dois atacantes “muito verticais”  e que Otavio teria melhores condições de contê-los...”


Fany, se Artur Jorge lê o QUINTAL é motivo de imenso orgulho. Mas certamente, as observações do blogueiro sobre Matheus Cunha são as mesmas de 12 milhões de cruzeirenses e, claro, da Comissão Técnica.


No jogo contra o Boca, houve uma jogada vertical dos argentinos, antecipada por Otavio na nossa intermediária.


 GARIMPO

“Os piratas modernos trocaram a  perna pela cara-de-pau.”

(Marcela Pereira Gazal)   

 
 
 

2 comentários


Edmundo
30 de abr.

Dr. Dalai, quem é esse Rafael que escreve tão bem?

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MARCOS
30 de abr.

Arroio vai caminhando pra ser oceano....

Salve Jorge e

Pai

Afasta de mim esse cálice

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