DANÇA DE MILHÕES
- José Dalai Rocha

- 8 de jan.
- 4 min de leitura

É surreal o noticiário de propostas feitas por passes de craques do momento. No mundo azul, pra vender e pra comprar, as cifras tiram o nosso sono de torcedor.
A gente lê, relê, torna a conferir e não acredita nos números à nossa frente. Num clube restrito de jogadores (menos de 5%), um milhão de reais virou salário mínimo há algum tempo e o imaginário popular procura entender como se gasta isto, mês a mês, no cotidiano da vida. Mansões, carros, iates, aviões...restaurantes...
Tudo isto num país em que 90% da população recebe menos de 3.500 reais por mês.
Um filho, aos 10 anos, disse querer ser muito rico pra poder comer muito, mas muito mesmo, o prato de que mais gostava: camarões ao alho e óleo. Na semana seguinte, de surpresa, fomos a um restaurante especializado e pedimos o prato. Uma fartura de camarões. O garoto comeu vorazmente os cinco primeiros. Puxou o freio. Abriu marcha lenta, depois afastou o prato e perguntou se havia sobremesa.
“Tá vendo? No restaurante, em muitos pratos podemos comer como ricos, porque eles têm o mesmo estômago: há limites de quantidade.”
E completei: “A diferença, meu filho, é no estilo de vida. Luxuoso para os milionários, comum para nós. Mas felicidade não tem nada a ver com isto. Ela está em qualquer dos lados, quando há amor, respeito, dignidade, caráter, carinho. Estes são valores permanentes. O dinheiro não compra.”
Imagino como vivem filhos de pai que todo mês recebe salário de 3, 4 ou 5 milhões de reais... o que comprar? Como educar? Como plantar os princípios de solidariedade? de fraternidade, de igualdade?
Como professor e magistrado assisti a famílias paradoxalmente se perderem por excesso de dinheiro. Quem consome tudo é um vilão chamado vulgaridade. Valores permanentes perdem sentido, pouco a pouco, enquanto um tipo de “felicidade pra consumo imediato” assume imperceptivelmente o comando da vida. Você compra horas de “felicidade-fake”.
O passado do futebol é recheado de exemplos assim. Craques se tornaram milionários, da noite para o dia. Entraram no modo “gozar-a-vida-doidamente” e perderam tudo. Vivem hoje da ajuda prestada por entidade de assistência da classe.
Acompanho assim, também sob esse ângulo, as negociações do meu Clube querido, atingindo cada vez mais cifras impensáveis. Pra comprar e pra vender. Torço para que, mesmo nesse campo econômico imponderável imposto pelas circunstâncias inflacionárias do momento, um mínimo de bom senso esteja sempre presente.
BATE PAPO NO QUINTAL
1. Pedrinho faz pedido fácil a Tite – Na apresentação do novo técnico do Cruzeiro, o gestor Pedro Lourenço, bem humorado, fez pedido simples: “Só queremos três títulos neste ano!”
2. Paulo Gouveia – confessando-se cruzeirense “doente” critica o que chama de “excesso de atenção” com que o QUINTAL trata o historiador atleticano Manuel Panhame. “É muito espaço pra quem só fala mal de nós.”
Meu caro Paulo, este QUINTAL não tem cercas. É um espaço plural onde aproveitamos pra malhar o nosso rival municipal, mas levando também, de vez em quando, algumas bordoadas. Panhame, que nos brinda com textos sempre interessantes (ressalvado o fanatismo pelo Atlético) recebe sempre aplausos de cruzeirenses, expostos nas dezenas de grupos sociais que interagem conosco. É uma figura da Casa, que já tem seu público próprio entre nós.
3. Jonathan Silveira Jr. reforça campanha do blogueiro para mudança na lei do impedimento:
“Dalai, morando em Londres, tenho acompanhado aqui os comentários sobre a iniciativa em curso na FIFA para alterar radicalmente o conceito de impedimento. Todo milimétrico exame do VAR será agora pra encontrar alguma parte do corpo do atacante desimpedida”.
Jonathan, é incrível que essa inversão ainda não seja oficializada. O gol é o ápice de uma partida de futebol e todo esforço deve ser no sentido de, legalmente, preservá-lo. E não o anular. A grande vantagem que vejo nessa inversão é que o atacante, ao se posicionar numa bola cruzada, terá muito mais condições de verificar se está ou não impedido.
4. Fabio – uma lenda. Já bateu o recorde de jogador com mais partidas oficiais na história do futebol mundial. Bateu o recorde de goleiro com maior número de partidas oficiais sem ser vazado, em todos os tempos. Agora se aproxima de outra marca histórica, pela Libertadores: pode se tornar o atleta com mais jogos na competição continental. Para isto basta que entre em campo pelo menos em 4 partidas do Fluminense. Como o clube carioca disputará no mínimo seis jogos na fase de grupos, o novo recorde de Fabio tem tudo pra se consumar. O atual recordista nesse quesito é o uruguaio Éver Almeida, com 113 jogos.
5. Sábado, Cruzeiro x Pouso Alegre – 18h30 no Mineirão, começo do campeonato mineiro. Time forte, embora alternativo, dando a primeira amostra do estilo-Tite. Com uma estreia de luxo: o atacante colombiano Néiser Villareal, de 20 anos.
6. Gerson - Um pé já está no Cruzeiro!
GARIMPO
“Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo. Eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.”
(Carlos Drummond de Andrade – 1902/1987)




Dalai, honestamente não vejo sentido nessa nova regra do impedimento. A diferença é que os bandeirinhas e equipe de VAR vão ficar fuçando pra buscar uma parte desimpedida ao invés de ficar fuçando pra buscar uma parte impedida (como é atualmente). Por que não eliminar o impedimento de vez? E digo mais, a FIFA recomenda 2/3 de bola rolando, o que dá 30 minutos de futebol. Por que não fazer igual o futsal? Aí a gente para de ver a galera fazendo cera e se jogando no chão por qualquer motivo. Especialmente o goleiro do lado de lá da lagoa. Assim que o time dele faz 1x0 ele se transforma imediatamente no salto de cristal da Cinderela. Nunca vi goleiro se…
Dr. Dalai, magistral o seu texto. Na verdade é difícil compreender os números envolvidos, não só no futebol, mas nos esportes, em geral. Não ouso fazer comparações com outras atividades da vida, como a ciência, a educação e outras atividades talvez até mais importantes mpara a sobrevivência das populações. Eu não consigo alcançar a influência que isso tem na vida das pessoas, especialmente daquelas menos afortunadas e sem formação intelectual adequada. Os neymares, messis, ronaldos e tantos outros, jogadores de basquete, tênis, enfim, que povoam as mentes e os corações de quantas crianças e jovens por esse mundo afora, junto com seus agentes e patrocinadores, não avaliam o que estão fazendo... E ninguém sabe, parece, qual será o resultado …
Bom dia, Dalai! As cifras impressionam, mas aproveitemos os bons momentos, esperados desde aquelas colunas nos idos de 2020!
Creio que o clube,apesar da necessidade de aportes do dono da SAF, iniciou aquela fase em que está se tornando sustentável, por meio de renda de jogos, cotas, patrocínios e premiações!
Viva o Cruzeiro!