ALELUIA, MARCAMOS 2 GOLS!
- José Dalai Rocha

- 20 de abr.
- 6 min de leitura

E encontramos nossa média: dez finalizações na grande área pra converter duas. Contra o Grêmio, sábado, continuou a incrível a sucessão de “quase gols” enquanto seguiam os riscos de um contra-ataque mudando os rumos da partida. Quantas vezes já passamos por isso. Sábado, quando perderam por 2 x 0, os gaúchos deram apenas dois chutes a gol, com endereço certo: o primeiro bateu na trave, o segundo em cima de nosso goleiro. Houve apenas um escanteio a seu favor. Do outro lado, como sempre, empilhamos oportunidades perdidas. Algumas, é verdade, não convertidas graças a milagres do goleiro Weverton.
Mais uma vez, sentimos ausência – e muita – de quem possa bater faltas ou cobrar escanteios com um mínimo de eficiência. De um jeito que revele, pelo menos, grau maior de treinamento. O que temos mostrado em campo é de lamentar.
É inexplicável que, com tantos recursos técnicos na Toca 2, salários absurdos, irreais, para os jogadores e 12 milhões de torcedores incentivando, não se possa “perder” duas horas, pós treino, garimpando batedores de falta.
Pra não dizerem que não falei de flores: grande atuação de Romero, Arroyo, Gerson, Kaiki e Christian. Arroyo me fez lembrar os extraordinários pontas que já vestiram o manto. Até que enfim, na beirada, temos alguém que leva vantagem no mano a mano.
BATE PAPO NO QUINTAL
1. Copa do Brasil – Depois de amanhã, quarta-feira, às 19h o Goiás recebe o hexacampeão Cruzeiro no primeiro jogo da Copa do Brasil/2026. Como vários outros clubes, passaremos a disputar três torneios ao mesmo tempo. Serão decisivos dois fatores: qualidade do banco e eficiência da Fisiologia.
2. Isa Noronha, escrevendo pós jogo de quarta-feira e antes da partida contra o Grêmio:
“Cruzeiro é um time sem alma. Jogadores se acham elenco do Real Madri, mas jogam um joguinho Série C.”
Isa, análise cruel, ferina. Mas quem poderia ir contra? Depois, ao que parece, com a reação de nosso treinador e a avalanche de críticas, o time mostrou outra postura diante do Grêmio, ainda que mantendo os mesmos e lamentáveis erros de finalização. Mas vencemos. Aleluia!
3. Bernardo, na sexta-feira, comenta a partida do Atlético x Juventud, na Arena Meu Rival Venceu:
“Que foi esse jogo? Parecia o confronto do time de colete x time sem colete! E o “com colete” ganhou. 2 x 1!”
4. José Odilon Faustino dá notícia triste:
“Após o Cruzeiro tomar o segundo gol, no finalzinho, contra o Universidad, quarta-feira, um ilustre torcedor aqui perto de minha casa sofreu um infarto fulminante e faleceu na hora. Lamentável!”
Não é o primeiro caso, nem será o último, infelizmente. A gente sabe que futebol é a coisa mais importante dentre as coisas desimportantes. Mas como segurar a emoção?
Nossa solidariedade e votos de conforto à família.
5. Fernando, Tocazeiro de Palmas, quer que o pedido de desculpas (o blogueiro pediu perdão) se estenda a todo coração azul que habita neste planeta:
“Igualmente, aqui em Palmas, a torcida Tocazeiros também aguarda o pedido de desculpas. A falta de criatividade anda sobre a Toca 2 e 3. Mas tenho esperanças de que a Diretoria e o, agora Manager, Artur Jorge “olhe” e convoque algumas de nossas crias. Nas seleções de base, todos os dias tomamos conhecimento de uma cria sendo o melhor do jogo, fazendo gols...”
Fernando, ao me referir apenas aos 43 mil torcedores que foram ao Mineirão naquela noite fria e saíram com uma amargura que não tem fim, pretendi ressaltar o sacrifício físico deles, o esforço e as dificuldades comuns de logística. Mas você tem razão, o pedido deve se estender a cada um dos 12 milhões que compõem esta maravilhosa e sofrida Nação Azul.
6. Gamal Henrique não apoia Alessandro Vieira e repreende o blogueiro:
“Dalai, pare de incensar um cara que não sabe seu próprio rumo. Era Bolsonaro, passou pra Lula e agora está perdido no meio de um tiroteio...”
Meu caro Gamal, nessa terrível dualidade política em que nos encontramos – Lula ou Bolsonaro – milhões já votaram em um e passaram pra o outro. E vice-versa. Aconteceu também com o blogueiro. É a procura do menos pior.
O senador Alessandro Vieira votou em Bolsonaro, mas ante o descalabro que assistia, passou a fazer dura oposição. Apoiou Lula, e o filme se repetiu. Barbaridades começaram a acontecer e ele não passou pano. Hoje é criticado por bolsonaristas e lulistas. Aí está sua virtude.
Esta coragem de confrontar poderosos não é de agora. Em 2016, delegado de Polícia, foi nomeado pelo Governador de Sergipe, Jacson Barreto (MDB), para comandar a Policia Civil. Iniciou então um processo de prisões inéditas de corruptos locais e foi exonerado.
7. Mathilde Herman Dias acha válida a preocupação de ministros do STF se protegerem contra ataques de pessoas inconsequentes que só sabem atirar pedras e conclui:
“Afinal, representam a última instância de nossa Justiça, dão a palavra final, precisam ser preservados...”
Mathilde, esta é uma coluna do Cruzeiro e deve abordar somente futebol. Como é a primeira vez que você nos dá o prazer sua participação, abro uma exceção, mesmo sujeitando-me a chuvas e trovoadas. Você tem toda razão. A justa liturgia que cerca, há séculos, os ministros da Alta Corte têm de ser mantida. No meu tempo de jornalista político e, depois, magistrado, não se conhecia sequer o tom de voz de um Ministro. Não falavam. A não ser nos autos do processo.
Lamentavelmente, alguns, hoje, não preservam esta história. Descaradamente, atuam em processos envolvendo seus próprios interesses ou de familiares. Isto é um absurdo sem tamanho. Como podem exigir respeito, se não respeitam a toga que vestem?
Agora mesmo, o trio Parada Dura se empenha em estabelecer normas aumentando o tempo de sigilo sobre documentos e informações. É como se estivessem cavando um esconderijo em benefício próprio.
Tudo ficaria mais fácil e encerraria essa via-crúcis se providenciassem, no Congresso Nacional, uma Proposta de Emenda Constitucional mais ou menos assim:
“Serão considerados nulos de pleno direito, não produzindo qualquer efeito, documentos, delações, informações ou gravações que visem incriminar ou prejudicar de qualquer forma os ministros Alexandre Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.”
8. Genaro Almeida Campos faz pergunta de um milhão de dólares:
“Dalai, com Matheus Cunha nós temos goleiro, ou não? O que você achou, primeiro da escalação dele contra o Grêmio e, também, quanto ao jogo?”
Meu caro Genaro, é difícil e temerário opinar quando não temos conhecimento real dos fatos. Treinos são fechados, sem acesso da imprensa. Não sabemos como estão tecnicamente nossos goleiros, principalmente Otavio, reserva imediato. Vou dar opinião baseada apenas no que vejo durante as partidas: Matheus Cunha falhou nos últimos jogos, menos contra o Grêmio, sábado, porque não foi testado. Houve apenas um chute a gol, da entrada da área, em cima dele, que não teve de fazer qualquer deslocamento pra pegar a bola. A torcida aplaudiu e isto me pareceu bastante sintomático. A defesa é daquelas que em qualquer outro jogo não desperta nem a atenção da torcida.
Ainda com base apenas no que vejo em campo: daria um tempo de reciclagem para Matheus Cunha. Goleiro inseguro mata o time.
9. Fernando Henrique Cardoso - Dolorosa, mas previsível, a notícia de interdição do ex-presidente, em razão do avanço do estado de inconsciência. É o Alzheimer.
No caso do ex-presidente, a iniciativa, por consenso familiar, é semelhante a triste e difícil decisão de desligar uma potente hidrelétrica por deterioração de peças.
Jovens hoje com menos de 40 anos não sabem o que é conviver com uma inflação de 80% ao mês. Com o impeachment de Collor, o vice Itamar Franco assumiu o governo e delegou ao sociólogo Fernando Henrique Cardoso a missão de promover as reformas econômicas. Ele escalou uma seleção de economistas e em julho de 1994, estabilizando a economia, entregava ao Brasil sua nova moeda: o real. Com invejável paridade: um real = um dólar.
10. Eduardo Dominguez, treinador do Atlético, sobe mais um degrau na sociologia do futebol e no conceito do blogueiro: Após o jogo contra o Juventud, mesmo com a vitória (apertada), Dominguez pediu menos vaidade e mais entrega dos jogadores, nos treinos e nos jogos.
Esse diagnóstico e o prognóstico serão apenas do Atlético?
11. Oscar Schimidt, ícone do basquete brasileiro, faleceu semana passada, aos 68 anos, após mal estar. Lutou contra um câncer cerebral por 15 anos. Deixou várias lições de vida. Uma delas, particularmente, aplicável ao time do Cruzeiro que não tem quem saiba bater faltas ou cobrar escanteios: Ao ser chamado de “mão santa” pela extrema habilidade de encestar, ele retrucava: “Santa coisa nenhuma. É mão treinada. Após os treinos fico na quadra tentando cesta de 3 pontos (aquela de arremesso distante). Só paro quando consigo três seguidas.”
Outra lição de Oscar: “O que eu tenho não é sorte. É trabalho”.
Vale a lembrança: o único lugar em que sucesso vem antes de trabalho é no dicionário.
GARIMPO
“Eu não posso te ensinar a ter caráter... mas a vida pode te fazer sentir o estrago que a falta dele faz.”
(anônimo)




A coluna de hoje é um brinde aos que como eu são apaixonados por futebol mas conseguem enxergar além dos 90 minutos , isto é : saber que existem coisas além da bola. E esse é o diferencial do PR Dalai Rocha !
Comentários assertivos sobre a questão política !
Grande Dalai, bom dia. Como você sempre fala, vamos por partes igual o Jack: 1. Acho que já tá na hora de tirar o Matheus do gol. O cara não passa segurança nenhuma. Antes do jogo eu já pensei: temos que fazer ao menos 2 gols pra ganhar porque o Cunha vai levar 1, de certeza. O cara pula na bola em slow motion. Nunca vi isso na minha vida. 2. Acho que nos últimos jogos a gente tá melhorando nos escanteios ofensivos (uma reclamação sua constante que eu concordo). Ao menos agora a gente vê um dos nossos cabeceando a bola, mesmo que seja pra fora. Já os escanteios defensivos são fruto de frio na barriga e calafrios. 3. Achei injusto da sua…
Finalmente voltando a ser grande
Voltando a ser Master